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Ouro recua na Comex com petróleo em alta e Fed no radar

Ouro recua na Comex com petróleo em alta e Fed no radar

Os contratos futuros do ouro fecharam em queda nesta segunda-feira, em um pregão marcado pela menor liquidez nos mercados internacionais por causa do feriado do Dia de Colombo nos Estados Unidos. Investidores avaliaram o avanço dos preços do petróleo e aguardam novos indicadores da economia americana que possam sinalizar os próximos passos do Federal Reserve (Fed) na política monetária.

No fechamento, o contrato do metal com entrega prevista para dezembro recuou 0,60%, cotado a US$ 4.190,6 por onça-troy, na Comex, divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex). O resultado reflete um cenário em que a cautela predomina diante da combinação entre pressão inflacionária e incerteza geopolítica.

Fed inalterado, mas petróleo é fator de risco

A percepção predominante entre participantes do mercado é a de que o banco central americano deve manter a taxa de juros inalterada neste mês. Ainda assim, a persistência de preços elevados do petróleo ameaça essa leitura, já que pode realimentar a inflação e complicar a trajetória de um ciclo de aperto monetário considerado, até aqui, mais contido.

O ouro tende a perder atratividade justamente nesse tipo de ambiente: pressões inflacionárias associadas à perspectiva de juros mais altos encarecem o custo de oportunidade de manter um ativo que não paga rendimento. É esse mecanismo que explica, em boa parte, o movimento de queda registrado nesta segunda-feira.

O que diz o mercado sobre o piso do metal

Em relatório divulgado nesta segunda-feira, o Bank of America avalia que, para o ouro reverter a tendência de queda, seria necessário um Fed mais "dovish" - ou seja, mais propenso a cortar juros - ou o surgimento de novas dúvidas sobre o status do dólar americano como ativo de refúgio.

"A conclusão é que, muito provavelmente, o ouro só encontrará um piso quando diminuírem as preocupações com a inflação e a guerra com o Irã, o dólar deixar de se valorizar e o Fed não estiver mais em um ciclo de aperto monetário", afirmam os estrategistas de commodities do banco no documento.

Tensão no Oriente Médio pressiona o petróleo

Os preços do petróleo subiram nesta segunda-feira em meio ao temor de uma escalada de tensões no Oriente Médio. O presidente americano, Donald Trump, disse neste fim de semana que está considerando se juntar à Arábia Saudita no confronto contra os houthis, do Iêmen - declaração que elevou a aversão ao risco nos mercados de energia.

O republicano também havia anunciado recentemente um "cessar-fogo energético" entre Rússia e Ucrânia, mas o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que Moscou já teria violado o acordo. O episódio reforça a instabilidade geopolítica que, somada às dúvidas sobre os próximos passos do Fed, mantém investidores atentos a qualquer sinal capaz de redefinir o apetite por ativos considerados portos seguros.